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Comportamento

Problemas comportamentais em cães. Por onde começar?

Especialista em comportamento animal fala sobre a importância em associar a terapia comportamental e os fitoterápicos para tratar distúrbios comportamentais nos pets.

 

Quando um cachorro ou um gato apresenta algum distúrbio comportamental, seus tutores recorrem a um profissional do comportamento. Hoje, além dos adestradores, existem os terapeutas comportamentais, também denominados de comportamentalistas.

 

A terapia comportamental tem por base três pilares

1) parte física;

2) modulação comportamental;

3) manejo ambiental.

No primeiro pilar, a parte física é de extrema importância. Por isso, todo animal deve ser avaliado por um médico veterinário, independentemente de qual seja a queixa. Sem um tratamento adequado, o resultado da terapia comportamental pode não ser tão efetivo. Também se encontra neste pilar a possibilidade de utilizar psicofármacos, feromônios e fitoterápicos, para auxiliar na agilidade de respostas dos outros dois pilares.

 

Se um animal está extremamente estressado, sua capacidade de aprendizado reduz, dificultando a aceitação de uma nova rotina ou mesmo um treino proposto pelo comportamentalista. Assim, antes de que algo seja ensinado ou adicionado à vida do animal, é importante tirá-lo da angústia, medo ou estresse. Além de retirar os fatores estressores, como barulhos ou situações específicas, podemos adicionar ao tratamento a parte física, com fitoterápicos.

 

Isso não significa que a modulação comportamental, através do ensinamento de novos comportamentos, ou o manejo ambiental, através de uma modificação do ambiente no qual o animal esteja inserido, não são suficientes. Mas, a depender do caso, se faz necessário dar um auxílio ao animal, para que este responda mais rápido aos pilares dois e três.

 

Vamos a um exemplo. O pequeno chihuahua Ruan estava atacando visitas. Por isso, seus tutores me chamaram para compreender o porquê daquele comportamento e como resolver. Durante a consulta comportamental, observei que o pequeno cão estava com muito medo de tudo o que lhe era desconhecido. E, como uma forma de afugentar o estímulo que lhe causava medo, latia, rosnava e avançava para o estranho.

 

A grande questão não era a agressividade do cachorro, mas seu medo excessivo. Eu poderia prescrever inúmeros treinos e brinquedos, mas poderia levar um tempo até que ele tivesse interesse em interagir com aqueles novos objetos e rotina. Por isso, indiquei a Fórmula Maracujá.

 

Expliquei aos tutores que a Fórmula não iria dopar o cachorro, muito menos deixá-lo prostrado. Apenas iria ajudar a relaxar e ficar mais aberto às novidades. Assim, os tutores aceitaram a indicação e passaram a oferecer a Fórmula por uma semana, como experiência.

 

Durante esta primeira semana, foram oferecidos novos brinquedos ao cão. Também foram feitas alterações em sua rotina. Os tutores já observaram mudanças no comportamento do animal, tanto dentro, quanto fora de casa. Todavia, após a primeira semana, eles pararam de dar a Fórmula ao cão. Ele continuou respondendo aos estímulos, mas com menos confiança, comparado à primeira semana. Na rua, estava mais assustado e tenso.

 

Ao saber da mudança de comportamento, sem a Fórmula, solicitei aos tutores que voltassem a oferecer o fitoterápico. Bastou uma única dose para o cão voltar a ser mais confiante e aceitar melhor os enriquecimentos ambientais. Não foi a Fórmula que curou o pequeno Chihuahua, foi o conjunto. Assim como uma mesa de três pernas, a terapia comportamental necessita de seus três pilares atendidos para ter um real efeito no comportamento do cachorro.

 

No caso do Ruan, eu poderia passar somente a Fórmula, mas sem as novidades e desafios, ele poderia levar muito mais tempo para se sentir seguro, mesmo dentro de casa. Da mesma forma, sem a Fórmula, somente o manejo ambiental não iria surtir tanto efeito. O animal iria levar mais tempo para responder ao tratamento, ficando em sofrimento desnecessário.

 

Hoje, passados dois meses de tratamento, o Ruan aceita receber pessoas em sua casa. Desde que seu espaço seja respeitado e ninguém tente fazer carinho nele. O que antes ele latia e mordia, hoje ele já fica à vontade pela sala, correndo com sua bolinha.

Os resultados não acontecem do dia para a noite. Requer muita dedicação e persistência de comportamentalistas e tutores. Mas tudo vale a pena para melhorar o bem-estar dos nossos peludos!

 

Luiza Cervenka é bióloga, com mestrado em psicobiologia, doutorado em veterinária e pós-graduada em jornalismo.

 

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